A respeitada carreira jurídica não privou o ex-presidente do TRT de sua paixão pela música, mais precisamente por tangos e boleros

O nome Francisco Antonio de Oliveira é bastante conhecido no meio jurídico. Mestre e doutor em Direito do Trabalho pela PUC-SP, foi presidente do TRT-SP entre 2000 e 2002. Agraciado pelo Tribunal Superior do Trabalho com a medalha da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, grau de comendador, é autor de 18 obras publicadas pela RT, entre elas Ação Civil Pública, Direito do Trabalho e Manual de Direito Individual e Coletivo de Trabalho.

O que pouca gente sabe é que fora do ambiente profissional, por vezes, ele assume a identidade de Francisco Del Monte, nome artístico que escolheu para subir aos palcos, onde se apresenta como cantor de tangos e boleros. A paíxão pela música, conforme conta, começou cedo. "Aos 6 anos já cantava, acompanhado por um tio, que tocava violão", diz. Na adolescência, começou a estudar piano, mas quando ingressou no mercado de trabalho, no Banco do Brasil, precisou deixar a música para um segundo plano. "Mesmo assim continuei me apresentando como cantor de orquestras em bailes e fazia aulas de canto com um professor italiano", conta.

A música sempre esteve presente em sua vida. "Participei de muita serenata em cidades do interior de São Paulo e durante algum tempo fiz recitais com a cantora lírica Agnes Ayres, uma das mais renomadas sopranos da época. Nós viajávamos o Brasil inteiro fazendo apresentações", afirma. Na década de 70, passou a fazer parte de uma orquestra típica de tangos. "Fizemos um show para mais de 800 pessoas no antigo cassino de Poços de Caldas", relembra.

O início de sua carreira jurídica não o afastou do canto. Ao se tornar magistrado, fazia apresentações nos jantares dos juízes. Foi em uma dessas ocasiões que um empresário da noite paulistana o convidou para gravar um CD. "Fui chamado para fazer um teste: tocaria com um conjunto profissional de tango. Nós passamos 12 músicas de primeira, sem erros", comenta. Ao final do ensaio, o veredito dos músicos foi: "Él es del ramo!". Assim foi produzido seu primeiro disco, que leva o nome de Tango, lançado há cerca de um ano. "Cheguei a dar entrevista para o Jô Soares e cantei no final do programa, acompanhado do quinteto do apresentador", lembra. Para breve, estão previstos outros dois lançamentos de CDs, desta vez com boleros. "Minhas principais influências são Gregório Barrios, Lucho Gatica, Roberto Yanez, Carlos Ramirez e Pedro Vargas, sem esquecer, é claro, de Carlos Gardel", diz o juiz. "Para manter a qualidade vocal, mantenho minhas aulas de canto, uma vez por semana", acrescenta. A interpretação do barítono Francisco Del Monte pode ser ouvida nos shows que ele faz em casas noturnas de São Paulo. A mais recente aconteceu no dia 30 de março, no Viva Maria Bar, no bairro de Santa Cecília.

E não são só CDs que estão na agenda de lançamentos de Oliveira para este ano: ele também é autor de romances. Seu primeiro livro de ficção foi Peregrinos do Universo e agora ele se prepara para publicar O Suave Perfume da Cherimólia. Segundo ele, não há segredos para conciliar a vida de juiz, cantor e escritor. "Basta ter bastante organização", conclui.

Fonte:
RT Informa - Ano V - N.º 30 - Março/Abril de 2004.
Uma publicação da Editora Revista dos Tribunais Ltda.

 

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